domingo, 28 de outubro de 2007
A noite aproxima-se rapidamente, trazendo uma aragem que refresca a minha face. Retenho os passos para observar a escuridão em que o rio se transforma. De súbito, reparo num estranho perfume que percorre o ar. Um perfume, meu já velho conhecido... Um sorriso invade a minha face. Tento concentrar me nele. E um estranho render da guarda, de mansinho, começa a acontecer...
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
26/X
É sexta-feira, finalmente. Cansado de ouvir o que não quero e de falar o que não devo. Vejo umas fotos de cachorros, para adopção. Como eu gostava de ter um cão! Um dia, talvez já não muito longinquio. Sim, já está algo gasta a frase mas... quanto mais conheço as pessoas... lá está, é isso mesmo. Verdade, verdadinha!
Detenho a minha atenção num deles. Não, não é pela sua beleza, raça apurada ou porte altivo. Sim, gosto de animais com personalidade, mas não é esse o motivo da atenção. Baixo os olhos por um momento. Tem o olhar vagamente triste, vagamente alheado, concretamente indiferente. É como se a tristeza pesasse nos seus olhos, a ponto de o obrigar a olhar para o chão.
Pobre animal, quanto terá ele sofrido! Carrega o peso do seu mundo. Apetecia-me abraçá-lo! E ainda dizem que os animais não sentem... não serão antes os homens???
É sexta-feira, finalmente. Cansado de ouvir o que não quero e de falar o que não devo. Vejo umas fotos de cachorros, para adopção. Como eu gostava de ter um cão! Um dia, talvez já não muito longinquio. Sim, já está algo gasta a frase mas... quanto mais conheço as pessoas... lá está, é isso mesmo. Verdade, verdadinha!
Detenho a minha atenção num deles. Não, não é pela sua beleza, raça apurada ou porte altivo. Sim, gosto de animais com personalidade, mas não é esse o motivo da atenção. Baixo os olhos por um momento. Tem o olhar vagamente triste, vagamente alheado, concretamente indiferente. É como se a tristeza pesasse nos seus olhos, a ponto de o obrigar a olhar para o chão.
Pobre animal, quanto terá ele sofrido! Carrega o peso do seu mundo. Apetecia-me abraçá-lo! E ainda dizem que os animais não sentem... não serão antes os homens???
segunda-feira, 22 de outubro de 2007
segunda-feira, 22/X
... um profundo e infinito azul... um azul que contemplo, que me fascina...um azul de paz, um azul de sonho, que embriaga a minha alma de sonho e paz...um azul que não existe, porque, se existisse, deixava simplesmente de ser azul, o meu azul profundo...
Reparo nele nos balcões do sonho, neste forte feito de fantasia... a sua espuma inquieta-me, prende-me a atenção. Faz-me reparar num mar profundo, que existe... ali, além, para além da segurança destes canhões...
E, no entanto, o que prende a minha atenção, o que leva a contemplá-lo é, simplesmente... ele não existir...porque, se existisse, já não era meu...
... um profundo e infinito azul... um azul que contemplo, que me fascina...um azul de paz, um azul de sonho, que embriaga a minha alma de sonho e paz...um azul que não existe, porque, se existisse, deixava simplesmente de ser azul, o meu azul profundo...
Reparo nele nos balcões do sonho, neste forte feito de fantasia... a sua espuma inquieta-me, prende-me a atenção. Faz-me reparar num mar profundo, que existe... ali, além, para além da segurança destes canhões...
E, no entanto, o que prende a minha atenção, o que leva a contemplá-lo é, simplesmente... ele não existir...porque, se existisse, já não era meu...
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Sexta-feira,19/X/07
Limito-me a estar sentado no sofá. Simplesmente estou. Tento não pensar em nada. De súbito, um profundo cansaço percorre o meu ser. Um estranho e profundo cansaço. Ao seu lado, surge uma velha e vil tristeza, inexplicável.
Recordo-me de um mote cavalheiresco que um dia vi, algures: as minhas alegrias são as minhas tristezas.
Como gostava que tudo fosse diferente. Enfim, gostava simplesmente de ser eu, de ser finalmente livre. Mas não, não sou. Todos os dias a mesma rotina, as mesmas caras, a mesma vida que lentamente se vai escoando do meu ser.
Gostava simplesmente de partir. Para onde? Nem eu sei nem isso interessa verdadeiramente. Partir, apenas. Canso-me desta rotina. Contemplo, maravilhado, o sorriso dos outros. Como o podem ser, nesta mesmice costumeira?
Talvez o mal esteja em mim, nesta imaginação que toma conta de mim e me faz desejar sempre mais além, de estar onde não posso. Como se a imaginação, ou a alma, ou lá o que se chame, não se conformasse com a tacanhez do corpo.
E, no entanto, sou feliz assim...
Limito-me a estar sentado no sofá. Simplesmente estou. Tento não pensar em nada. De súbito, um profundo cansaço percorre o meu ser. Um estranho e profundo cansaço. Ao seu lado, surge uma velha e vil tristeza, inexplicável.
Recordo-me de um mote cavalheiresco que um dia vi, algures: as minhas alegrias são as minhas tristezas.
Como gostava que tudo fosse diferente. Enfim, gostava simplesmente de ser eu, de ser finalmente livre. Mas não, não sou. Todos os dias a mesma rotina, as mesmas caras, a mesma vida que lentamente se vai escoando do meu ser.
Gostava simplesmente de partir. Para onde? Nem eu sei nem isso interessa verdadeiramente. Partir, apenas. Canso-me desta rotina. Contemplo, maravilhado, o sorriso dos outros. Como o podem ser, nesta mesmice costumeira?
Talvez o mal esteja em mim, nesta imaginação que toma conta de mim e me faz desejar sempre mais além, de estar onde não posso. Como se a imaginação, ou a alma, ou lá o que se chame, não se conformasse com a tacanhez do corpo.
E, no entanto, sou feliz assim...
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