quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Eu de novo. Que raio! Tantas vidas que eu podia ter vivido, mas não...tinha que viver a mais sensaborã. Papéis, mais papéis e, novamente, papéis...Safa! É nestes momentos que me recordo de ti, farda. É verdade, está quase a fazer anos... Não que a vida, naquele tempo, fosse fácil. Não o era. Noites mal dormidas, Comandantes aborrecidos, missões ingratas...mas, ao menos, vivia-se. Ah! E via o Mar do meu gabinete, sem precisar sequer de me levantar da secretária. Foi assim que, lentamente, pé ante pé, como quem não quer a coisa, foste entrando na minha alma serrana. A ponto de pensar em atraiçoar a minha serra. O Mar é luminoso como o sorriso de uma mãe, azul como os olhos de quem ama, quente como os beijos dos amantes. Bem...nem sempre, é bem verdade! E então? Uma mãe, por vezes, não ralha aos seus petizes? Não lhes fala do lobo mau? E será que o Mar seria o Mar sem naufrágios? Será que teria a mesma poesia? E será que vale a pena viver sem poesia?
O chato é que aquela farda verde, azul e branca se entranhou dentro de mim. Não quer sair a marota.Ela própria tomou a cargo defender-me, como quem defende um doce menino. Ó farda, olha que nem sou menino nem doce! E, no entanto, teimas em ficar...Hum... Será que foi o Mar quem fez de ti meu protector? Ela pediu-te? E porque me protege ela? Terá sido pelo brilho que um dia viu nos meus olhos? hum...Onde vai já esse brilho e esses olhos...O que vês são meros fogachos do que um dia foram...Sim, porque eu não tive medo de naufragar! E naufraguei, para mal dos meus muitos pecados...Mas o Mar, incansável, abraçou-me, aninhou-me no seu colo, trouxe-me de volta...Será que o brilho que os meus olhos tiveram me conquistaram um lugar no Céu?Não sei. Só sei que o Mar está ali, à espreita. Sei que o seu azul adoça a minha alma. Conheço os fogachos de azul que irradiam dos meus olhos.
Pouso os olhos no azul da farda, no dourado dos galões, no fio da espada...Tanto tempo que nem te pareces eu. Mas és. Alias, é um pouco por ti, em tua honra, que eu sou o que ainda sou.
Lembras-te daquela voz que dizia "Defende-te alcaide?" Bem,é uma lenda linda...
Ou então aquela, que dizia "neto, doce neto, toma esta lança nunca quebrada?" - quem souber qual é o livro ganha uma joka, se for mulher.
Tu és isso tudo.
Por hoje já chega. Por meias palavras já disse muito hoje. É engraçado, escrever assim. É de mim para mim. E, quem a entender, merece sem sombra de dúvida, se não o trono ao menos o principado...Porque a realeza é muito exigente e nós somos, apenas, seres humanos imperfeitos..
O chato é que aquela farda verde, azul e branca se entranhou dentro de mim. Não quer sair a marota.Ela própria tomou a cargo defender-me, como quem defende um doce menino. Ó farda, olha que nem sou menino nem doce! E, no entanto, teimas em ficar...Hum... Será que foi o Mar quem fez de ti meu protector? Ela pediu-te? E porque me protege ela? Terá sido pelo brilho que um dia viu nos meus olhos? hum...Onde vai já esse brilho e esses olhos...O que vês são meros fogachos do que um dia foram...Sim, porque eu não tive medo de naufragar! E naufraguei, para mal dos meus muitos pecados...Mas o Mar, incansável, abraçou-me, aninhou-me no seu colo, trouxe-me de volta...Será que o brilho que os meus olhos tiveram me conquistaram um lugar no Céu?Não sei. Só sei que o Mar está ali, à espreita. Sei que o seu azul adoça a minha alma. Conheço os fogachos de azul que irradiam dos meus olhos.
Pouso os olhos no azul da farda, no dourado dos galões, no fio da espada...Tanto tempo que nem te pareces eu. Mas és. Alias, é um pouco por ti, em tua honra, que eu sou o que ainda sou.
Lembras-te daquela voz que dizia "Defende-te alcaide?" Bem,é uma lenda linda...
Ou então aquela, que dizia "neto, doce neto, toma esta lança nunca quebrada?" - quem souber qual é o livro ganha uma joka, se for mulher.
Tu és isso tudo.
Por hoje já chega. Por meias palavras já disse muito hoje. É engraçado, escrever assim. É de mim para mim. E, quem a entender, merece sem sombra de dúvida, se não o trono ao menos o principado...Porque a realeza é muito exigente e nós somos, apenas, seres humanos imperfeitos..
sábado, 19 de janeiro de 2008
O sono invade todo o meu ser, desde a mais insignificante gotícula do meu sangue até ao neurónio mais anarquicamente convencido que é imortal... É tarde e a alma pede descanso à terra, que é como quem diz à cama.
Olhando para este amontoado de papéis de teima em marcar a sua presença. verifico que a partida está para breve. Novo Eneias ao mar parte, em busca da criação na nova ìlion, na Pérgamo eterna... Ouço o relógio...tic tac, tic tac... a voragem do tempo impele as velas para longe... tic tac tic ta está quase na hora de tu partires também... Encolho os ombos. Não sei onde se situará essa Nova Mompracem. Nem verdadeiramente me importa. Onde quer que sejam o Mompracem permanecerá enquanto permancer na lembrança dos que ficam.
Mompracem também já não é o que era. Veja, além, no mastro: ainda se mantém a velha bandeira da pirataria. Mas de caçadores, os filhos de Mompracem passaram a presa, cobiçada e valiosa. Mas será que vale a pena lutar por Mompracem? Tudo isto não passa de um simples calhau no meio de nenhures, que vai para nenhures e do qual eu mesmo vou partir sem partir de mim mesmo.
Não lutem por Mompracem. Admirem-lhe o último Sol, o último ocaso, como aquela última tarde de Breda ou o nosso encontro em Tânger... Mas não omitam a ferrugem que aprodrece os seus ferros, o sal que corroio os vossos costados, que a faz lentamente....
E, sobretudo, lembrem-se de Mompracem...Para que continue a existir ainda que já não existam piratas nem corsários nos mares ou que...
bah! nada disto faz sentido... é o cansaço. Fumemos o nosso último cigarro calmamente. Afinal, pelo menos vivemos.
Olhando para este amontoado de papéis de teima em marcar a sua presença. verifico que a partida está para breve. Novo Eneias ao mar parte, em busca da criação na nova ìlion, na Pérgamo eterna... Ouço o relógio...tic tac, tic tac... a voragem do tempo impele as velas para longe... tic tac tic ta está quase na hora de tu partires também... Encolho os ombos. Não sei onde se situará essa Nova Mompracem. Nem verdadeiramente me importa. Onde quer que sejam o Mompracem permanecerá enquanto permancer na lembrança dos que ficam.
Mompracem também já não é o que era. Veja, além, no mastro: ainda se mantém a velha bandeira da pirataria. Mas de caçadores, os filhos de Mompracem passaram a presa, cobiçada e valiosa. Mas será que vale a pena lutar por Mompracem? Tudo isto não passa de um simples calhau no meio de nenhures, que vai para nenhures e do qual eu mesmo vou partir sem partir de mim mesmo.
Não lutem por Mompracem. Admirem-lhe o último Sol, o último ocaso, como aquela última tarde de Breda ou o nosso encontro em Tânger... Mas não omitam a ferrugem que aprodrece os seus ferros, o sal que corroio os vossos costados, que a faz lentamente....
E, sobretudo, lembrem-se de Mompracem...Para que continue a existir ainda que já não existam piratas nem corsários nos mares ou que...
bah! nada disto faz sentido... é o cansaço. Fumemos o nosso último cigarro calmamente. Afinal, pelo menos vivemos.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
E mais alguns dias se passaram desde a última vez que me sentei neste cais de pedra. Reparo que há menos um navio no porto, mais um que se fez ao mar. Perde a terra um pouco de cor, ganha o mar novos sulcos de espuma. Os barcos não se fizeram para permanecer indefinidamente aninhados junto as muralhas do cais. Devem partir, fazer-se ao largo, rumar de encontro à felicidade que os espera do outro lado do oceano.
Um velho capitão sorri para mim.
Um porto nunca está só. Povoam-o sentimentos, lembranças, pinturas, retratos dos que por ali passaram. Suportam-o as grossas muralhas das barreiras, os baluartes, os revelins, os canhões. Até quando? Bato na pedra, com receio. Mas não, ela permanece íntegra, apesar da corrupção do sal.
Mas há menos cor no cais, menos movimento. Um dia, tudo cessará. Tudo tem um fim, tudo tem um preço. É o preço de uma cadeira real que permanece vaga. Vaga? Sim, vaga pois a própria lembrança de quem a ocupou vai-se esfumando como nevoeiro empurrado pelo vento. E permanecerá vaga?
Olho o mar, contemplo os navios que ainda por aqui permanecem. O mar é o vosso destino. O mar é o meu destino. Assim, um dia, não muito longínquo, embarcarei novamente. Nesse dia, serei eu a abandonar este cais. O mar é o meu último cais. Lá onde o seu azul for mais profundo, onde o pôr do Sol for mais intenso, o céu mais repleto de estrelas...lá é o meu lugar. Lavarei o corpo do pó da pólvora e, tranquilamente ao som de uma certa música, riremos do destino.
Um velho capitão sorri para mim.
Um porto nunca está só. Povoam-o sentimentos, lembranças, pinturas, retratos dos que por ali passaram. Suportam-o as grossas muralhas das barreiras, os baluartes, os revelins, os canhões. Até quando? Bato na pedra, com receio. Mas não, ela permanece íntegra, apesar da corrupção do sal.
Mas há menos cor no cais, menos movimento. Um dia, tudo cessará. Tudo tem um fim, tudo tem um preço. É o preço de uma cadeira real que permanece vaga. Vaga? Sim, vaga pois a própria lembrança de quem a ocupou vai-se esfumando como nevoeiro empurrado pelo vento. E permanecerá vaga?
Olho o mar, contemplo os navios que ainda por aqui permanecem. O mar é o vosso destino. O mar é o meu destino. Assim, um dia, não muito longínquo, embarcarei novamente. Nesse dia, serei eu a abandonar este cais. O mar é o meu último cais. Lá onde o seu azul for mais profundo, onde o pôr do Sol for mais intenso, o céu mais repleto de estrelas...lá é o meu lugar. Lavarei o corpo do pó da pólvora e, tranquilamente ao som de uma certa música, riremos do destino.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
A chuva cai de mansinho, lá fora. Sorrio. A natureza presenteia-nos com a mais doce melodia, com o mais puro dos cheiros... Todos os meus sentidos despertam para uma profunda e sempre renovada intimidade comigo próprio. Este som convida ao recolhimento, ao silêncio animado...só pelo prazer de escutar, cheirar e de sentir...A chuva refresca a alma. Lentamente, com a mesma mansidão da chuva que cai sobre a terra e que a desperta para a vida, sinto renascer dentro de mim a semente da mais profunda tranquilidade. Sinto-me tranquilo, ouvindo a natureza a conversar consigo. Esqueço-me de mim, ouvindo-a e ouvindo-me, neste silêncio sonoramente animado. É um verdadeiro e feliz contentamento! E, assim tão docemente embalado, vou adormecendo lentamente, acordando para os sonhos, preparando-me para tomar castelos, proteger princesas e vaguear pelos mares... Tudo, na companhia desta chuva que me aconchega em mim mesmo e me faz sorrir...de mansinho.
terça-feira, 25 de dezembro de 2007
E é tudo, amigos. Mais um Natalício.
Quanto a novidades, tudo se resumiu a uma boa garrafa de Tormes e uma bela jogatana de matraquilhos. Nada mau!
Quanto ao vinho, confesso que não resisti. É o vinho de Tormes, aquele que o Jacinto de "a cidade e as serras" bebeu quase à luz do luar, a acompanhar umas certas favas... É uma tirada absolutamente deliciosa. Mas verdadeiramente deslumbrante é a conversa entre ele e o amigo Zé na doce contemplação das estrelas... tal como as suas conversas com a natureza que o acompanha, acolhe e mima. Delicioso, repito.
E, por falar nisso, amanha regresso à serra. É sempre bom regressar, apesar do frio e do trabalho que lá me espera. Tem de ser. Um dia, olharei para trás e ficarei satisfeito comigo. Não
é esse o objectivo último da vida?
Mesmo com os erros que, aqui e ali se vão cometendo, sempre há motivo para sorrir: sim, pelo menos vivi! :)
E com este sorriso me despeço de mim, durante alguns dias. Mas regresso, para contentamento, espero, de alguns olhos amigos e meigos :)
Quanto a novidades, tudo se resumiu a uma boa garrafa de Tormes e uma bela jogatana de matraquilhos. Nada mau!
Quanto ao vinho, confesso que não resisti. É o vinho de Tormes, aquele que o Jacinto de "a cidade e as serras" bebeu quase à luz do luar, a acompanhar umas certas favas... É uma tirada absolutamente deliciosa. Mas verdadeiramente deslumbrante é a conversa entre ele e o amigo Zé na doce contemplação das estrelas... tal como as suas conversas com a natureza que o acompanha, acolhe e mima. Delicioso, repito.
E, por falar nisso, amanha regresso à serra. É sempre bom regressar, apesar do frio e do trabalho que lá me espera. Tem de ser. Um dia, olharei para trás e ficarei satisfeito comigo. Não
é esse o objectivo último da vida?
Mesmo com os erros que, aqui e ali se vão cometendo, sempre há motivo para sorrir: sim, pelo menos vivi! :)
E com este sorriso me despeço de mim, durante alguns dias. Mas regresso, para contentamento, espero, de alguns olhos amigos e meigos :)
sábado, 22 de dezembro de 2007
Ola!
Férias, finalmente! Curtas, breves, escassas...mas férias! É todo um novo ciclo que se avizinha: outras luzes, outras cores, outros sabores... Toda uma nova vida que começa!
Dizem que os gatos têm não sei quantas vidas. Então e nós? Eu cá, perdoem-me a imodéstia, acho que já vivi várias. Há espaços, pessoas e lugares que sinto ter percorrido, sentido e conhecido noutras vidas. Como se tudo se tivesse passado lá longe, já nos confins da memória, quase irreal. Como se todas as recordações se movessem da memória para a fantasia! Dá-se uma ou outra pincelada e o que foi cinzento, torna-se azul, o azul em azul profundo e, por fim, surge uma qualquer tonalidade celestial.
Várias vidas, de facto. Desde os longinquos tempos de estudante, desde as arcas frigorificas e os seus abençoados 38.º negativos, os corredores da faculdade, os passeios pelos bairros de lisboa, a Marinha, com as minhas fardas e aquelas longas conversas com o mar, o cej e, agora juiz. Vidas imensas!
E as pessoas? Os amigos que ficam e os que vão passando...mas sempre ocupando um lugar na minha vida, uns por gratidão, outros por camaradagem, outros apenas por que sim...
E, quem fala em amigos fala, também, em mulheres.... Quantas foram mesmo? Não sei, nem importa. Umas passaram rapidamente, sem deixar rasto. Ora então adeus! Outras, poucas permanecem com o seu perfume... algumas com a sua amizade. Uma ou outra, revelaram-se uma outra vida. Hábitos, maneiras de ser, fazer e sentir que surgiram e desapareceram com ela. Marcam o tempo, um antes e um depois... Mas, apesar disso, passam-se rapidamente para o irreal, evaporando como um perfume delicado. Desaparecem permanecendo irrealmente. Por isso permanecem...
Outras vidas. Quantas vivi já eu? Não sei. Imensas, bastantes... Por vezes, surge o tal cansaço de que já falei. No entanto, com o raiar do Sol renascem as forças e as energias para viver: tese, antitese, síntese.
Falta a revolução. Mas essa está para breve.....
Férias, finalmente! Curtas, breves, escassas...mas férias! É todo um novo ciclo que se avizinha: outras luzes, outras cores, outros sabores... Toda uma nova vida que começa!
Dizem que os gatos têm não sei quantas vidas. Então e nós? Eu cá, perdoem-me a imodéstia, acho que já vivi várias. Há espaços, pessoas e lugares que sinto ter percorrido, sentido e conhecido noutras vidas. Como se tudo se tivesse passado lá longe, já nos confins da memória, quase irreal. Como se todas as recordações se movessem da memória para a fantasia! Dá-se uma ou outra pincelada e o que foi cinzento, torna-se azul, o azul em azul profundo e, por fim, surge uma qualquer tonalidade celestial.
Várias vidas, de facto. Desde os longinquos tempos de estudante, desde as arcas frigorificas e os seus abençoados 38.º negativos, os corredores da faculdade, os passeios pelos bairros de lisboa, a Marinha, com as minhas fardas e aquelas longas conversas com o mar, o cej e, agora juiz. Vidas imensas!
E as pessoas? Os amigos que ficam e os que vão passando...mas sempre ocupando um lugar na minha vida, uns por gratidão, outros por camaradagem, outros apenas por que sim...
E, quem fala em amigos fala, também, em mulheres.... Quantas foram mesmo? Não sei, nem importa. Umas passaram rapidamente, sem deixar rasto. Ora então adeus! Outras, poucas permanecem com o seu perfume... algumas com a sua amizade. Uma ou outra, revelaram-se uma outra vida. Hábitos, maneiras de ser, fazer e sentir que surgiram e desapareceram com ela. Marcam o tempo, um antes e um depois... Mas, apesar disso, passam-se rapidamente para o irreal, evaporando como um perfume delicado. Desaparecem permanecendo irrealmente. Por isso permanecem...
Outras vidas. Quantas vivi já eu? Não sei. Imensas, bastantes... Por vezes, surge o tal cansaço de que já falei. No entanto, com o raiar do Sol renascem as forças e as energias para viver: tese, antitese, síntese.
Falta a revolução. Mas essa está para breve.....
Subscrever:
Mensagens (Atom)
