sábado, 19 de janeiro de 2008

O sono invade todo o meu ser, desde a mais insignificante gotícula do meu sangue até ao neurónio mais anarquicamente convencido que é imortal... É tarde e a alma pede descanso à terra, que é como quem diz à cama.
Olhando para este amontoado de papéis de teima em marcar a sua presença. verifico que a partida está para breve. Novo Eneias ao mar parte, em busca da criação na nova ìlion, na Pérgamo eterna... Ouço o relógio...tic tac, tic tac... a voragem do tempo impele as velas para longe... tic tac tic ta está quase na hora de tu partires também... Encolho os ombos. Não sei onde se situará essa Nova Mompracem. Nem verdadeiramente me importa. Onde quer que sejam o Mompracem permanecerá enquanto permancer na lembrança dos que ficam.
Mompracem também já não é o que era. Veja, além, no mastro: ainda se mantém a velha bandeira da pirataria. Mas de caçadores, os filhos de Mompracem passaram a presa, cobiçada e valiosa. Mas será que vale a pena lutar por Mompracem? Tudo isto não passa de um simples calhau no meio de nenhures, que vai para nenhures e do qual eu mesmo vou partir sem partir de mim mesmo.
Não lutem por Mompracem. Admirem-lhe o último Sol, o último ocaso, como aquela última tarde de Breda ou o nosso encontro em Tânger... Mas não omitam a ferrugem que aprodrece os seus ferros, o sal que corroio os vossos costados, que a faz lentamente....
E, sobretudo, lembrem-se de Mompracem...Para que continue a existir ainda que já não existam piratas nem corsários nos mares ou que...
bah! nada disto faz sentido... é o cansaço. Fumemos o nosso último cigarro calmamente. Afinal, pelo menos vivemos.

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