Sexta-feira,19/X/07
Limito-me a estar sentado no sofá. Simplesmente estou. Tento não pensar em nada. De súbito, um profundo cansaço percorre o meu ser. Um estranho e profundo cansaço. Ao seu lado, surge uma velha e vil tristeza, inexplicável.
Recordo-me de um mote cavalheiresco que um dia vi, algures: as minhas alegrias são as minhas tristezas.
Como gostava que tudo fosse diferente. Enfim, gostava simplesmente de ser eu, de ser finalmente livre. Mas não, não sou. Todos os dias a mesma rotina, as mesmas caras, a mesma vida que lentamente se vai escoando do meu ser.
Gostava simplesmente de partir. Para onde? Nem eu sei nem isso interessa verdadeiramente. Partir, apenas. Canso-me desta rotina. Contemplo, maravilhado, o sorriso dos outros. Como o podem ser, nesta mesmice costumeira?
Talvez o mal esteja em mim, nesta imaginação que toma conta de mim e me faz desejar sempre mais além, de estar onde não posso. Como se a imaginação, ou a alma, ou lá o que se chame, não se conformasse com a tacanhez do corpo.
E, no entanto, sou feliz assim...
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1 comentário:
li, reli, voltei a ler e a reler.
pensei em muitas palavras. muitas mesmo. voltei a ler e a reler. e muitas outras palavras pensei. mas, ao lado destas, lindas, cheias de uma tristeza desconhecida, achei que todas elas não faziam sentido...
de uma das caras de todos os dias, das que sorri para ti...
(a ouvir repetidamente 'This mess we're in'- PJ Harvey e Tom York)
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