quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Eu de novo. Que raio! Tantas vidas que eu podia ter vivido, mas não...tinha que viver a mais sensaborã. Papéis, mais papéis e, novamente, papéis...Safa! É nestes momentos que me recordo de ti, farda. É verdade, está quase a fazer anos... Não que a vida, naquele tempo, fosse fácil. Não o era. Noites mal dormidas, Comandantes aborrecidos, missões ingratas...mas, ao menos, vivia-se. Ah! E via o Mar do meu gabinete, sem precisar sequer de me levantar da secretária. Foi assim que, lentamente, pé ante pé, como quem não quer a coisa, foste entrando na minha alma serrana. A ponto de pensar em atraiçoar a minha serra. O Mar é luminoso como o sorriso de uma mãe, azul como os olhos de quem ama, quente como os beijos dos amantes. Bem...nem sempre, é bem verdade! E então? Uma mãe, por vezes, não ralha aos seus petizes? Não lhes fala do lobo mau? E será que o Mar seria o Mar sem naufrágios? Será que teria a mesma poesia? E será que vale a pena viver sem poesia?
O chato é que aquela farda verde, azul e branca se entranhou dentro de mim. Não quer sair a marota.Ela própria tomou a cargo defender-me, como quem defende um doce menino. Ó farda, olha que nem sou menino nem doce! E, no entanto, teimas em ficar...Hum... Será que foi o Mar quem fez de ti meu protector? Ela pediu-te? E porque me protege ela? Terá sido pelo brilho que um dia viu nos meus olhos? hum...Onde vai já esse brilho e esses olhos...O que vês são meros fogachos do que um dia foram...Sim, porque eu não tive medo de naufragar! E naufraguei, para mal dos meus muitos pecados...Mas o Mar, incansável, abraçou-me, aninhou-me no seu colo, trouxe-me de volta...Será que o brilho que os meus olhos tiveram me conquistaram um lugar no Céu?Não sei. Só sei que o Mar está ali, à espreita. Sei que o seu azul adoça a minha alma. Conheço os fogachos de azul que irradiam dos meus olhos.
Pouso os olhos no azul da farda, no dourado dos galões, no fio da espada...Tanto tempo que nem te pareces eu. Mas és. Alias, é um pouco por ti, em tua honra, que eu sou o que ainda sou.
Lembras-te daquela voz que dizia "Defende-te alcaide?" Bem,é uma lenda linda...
Ou então aquela, que dizia "neto, doce neto, toma esta lança nunca quebrada?" - quem souber qual é o livro ganha uma joka, se for mulher.
Tu és isso tudo.
Por hoje já chega. Por meias palavras já disse muito hoje. É engraçado, escrever assim. É de mim para mim. E, quem a entender, merece sem sombra de dúvida, se não o trono ao menos o principado...Porque a realeza é muito exigente e nós somos, apenas, seres humanos imperfeitos..

2 comentários:

moi disse...

é no azul
que tudo se perde,
que tudo se encontra...
é no azul
que se chora,
como se fôssemos crianças...
é no azul
que se abre o sorriso,
que se dizem as palavras...
ainda que meio imperfeitas,
meio mentirosas,
ainda que com outros sentidos...

não tenhas medo, marinheiro... existe sempre um porto de abrigo por esse mundo fora...

cúmulos e cirros disse...

C. B.
Já há algum tempo que não passava por aqui e por isso só agora vi as perguntas, às quais não resisti responder (adoro charadas):
- “Defende-te alcaide”: é a lenda do alcaide do castelo de Faria - era fácil, a foto deste castelo já esteve no msn :)
- “neto, doce neto, toma esta lança nunca quebrada" – bom, esta era mais complicada (tive de ir ao google) e não tenho a certeza, mas desconfio que é de um livro que alguém ficou de me emprestar, ring a bell????
Quanto às meias palavras, enfim, sou uma plebeia iletrada, não me atrevo a comentar…